# Pluralismo Ontológico > _τὸ ὂν λέγεται πολλαχῶς_ _- **O ser diz-se de muitos modos**._ - [[Aristóteles]], **Metafísica**, Γ 2, 1003a 33 ![Arquipélago grego: imagem-metáfora dos múltiplos modos de ser](https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c5/Santorini_caldera.jpg/1920px-Santorini_caldera.jpg?utm_source=commons.wikimedia.org&utm_campaign=index&utm_content=thumbnail&_=20120716214027) <sub>_Caldeira de Santorini, vista do mar Egeu. Imagem do Wikimedia Commons, [CC BY-SA 4.0](https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/deed.pt). O arquipélago - muitas ilhas, sem ilha-continente que as totalize - é a metáfora recorrente do pluralismo ontológico contemporâneo._</sub> --- ## Apresentação O **Pluralismo Ontológico** é a tese filosófica segundo a qual **há múltiplos modos, formas, ou maneiras de ser** - e segundo a qual _existir_ não é, portanto, um conceito unívoco que se aplique do mesmo modo a tudo o que há. Por outras palavras: existir como número não é o mesmo que existir como cadeira, nem existir como personagem fictício é o mesmo que existir como eletrão. Ao monismo ontológico - a tese de que _ser é ser_, e que tudo o que há partilha uma única forma fundamental de existência - opõe-se assim uma posição que admite, no real, **fraturas categoriais irredutíveis**. A tese atravessa toda a história da filosofia ocidental, da formulação aristotélica clássica até aos debates contemporâneos animados, no espaço analítico, por [Kris McDaniel](https://en.wikipedia.org/wiki/Kris_McDaniel) e Jason Turner, e, no espaço continental, por [[Markus Gabriel]] e a sua [[Ontologia dos Campos de Sentido]]. A questão que está em jogo é, em última análise, **a forma do real**: tem ele a unidade do cosmos, ou a pluralidade do arquipélago? Pode a totalidade ser pensada, ou é o pensamento da totalidade um erro categorial? A história do pluralismo ontológico é a história das tentativas - distintas, por vezes incompatíveis - de responder afirmativamente à segunda alternativa. --- ## A divisa aristotélica A formulação canónica e fundadora deve-se a [[Aristóteles]], na _Metafísica_: _**τὸ ὂν λέγεται πολλαχῶς**_ - _o ser diz-se de muitos modos_. A frase, repetida em diversas variantes ao longo da obra (sobretudo nos livros Γ, Δ, Ε, Ζ e Θ), tornou-se a divisa de toda a tradição pluralista posterior. Para Aristóteles, "ser" não é um _género supremo_ sob o qual se ordenariam, como espécies, todas as categorias do real. As **categorias** - substância, qualidade, quantidade, relação, lugar, tempo, posição, posse, ação, paixão - são, ao invés, _modos primeiros_ de dizer o ser, irredutíveis uns aos outros. Uma substância (este cavalo) e uma qualidade (a brancura deste cavalo) _são_ - mas não são _do mesmo modo_: a substância é em si mesma, a qualidade é num outro. A solução aristotélica para articular esta pluralidade sem a dispersar foi a doutrina da **_pros hen_**: todos os modos de ser dizem-se em relação à substância, que constitui o seu foco unificador. É esta articulação delicada - pluralismo dos modos, com prioridade focal de um deles - que toda a tradição posterior do pluralismo ontológico, até hoje, tem tentado quer prolongar quer contestar. --- ## Travessia histórica ### Idade Média: a analogia do ser A tradição escolástica, e em particular [Tomás de Aquino](https://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_de_Aquino), recebeu e radicalizou a herança aristotélica através da doutrina da **analogia do ser** (_analogia entis_). A questão teológica fundamental - _como pode dizer-se que Deus existe e que as criaturas existem, sem reduzir Deus a uma criatura ou as criaturas a Deus?_ - exige uma terceira via entre a univocidade (Deus e as criaturas existem do mesmo modo) e a equivocidade pura (existem em sentidos completamente distintos, sem nada em comum). A _analogia entis_ afirma: **Deus e as criaturas existem analogicamente** - proporcionalmente, segundo um mesmo conceito mas em modos hierarquicamente diferenciados. O Aquinate distingue ainda os _entia rationis_ - entidades de razão, dependentes da mente - dos _entia realia_ - entidades reais, independentes -, prefigurando distinções modais que serão retomadas nos séculos posteriores. A escolástica também contemplou explicitamente uma forma de pluralismo: as **transcendentais** (_unum_, _verum_, _bonum_) atravessam todas as categorias precisamente porque o ser não é género, mas atributo plurivocamente partilhado. ### Modernidade: monadologia e gradação ontológica [Leibniz](https://pt.wikipedia.org/wiki/Gottfried_Wilhelm_Leibniz), na sua _Monadologie_ (1714), distingue a **existência absoluta** das mónadas - substâncias simples, indivisíveis, dotadas de perceção e apetição - da **existência atenuada** dos compostos, que são apenas _bem fundamentados_ (_phaenomena bene fundata_) sobre o real verdadeiro das mónadas. Há, pois, **graus de ser**, e não apenas presença ou ausência. A tradição racionalista alemã, de [Christian Wolff](https://pt.wikipedia.org/wiki/Christian_Wolff) a [Alexander Baumgarten](https://en.wikipedia.org/wiki/Alexander_Gottlieb_Baumgarten), desenvolveu este pluralismo gradativo até o transmitir, já bastante refinado, à filosofia transcendental kantiana - onde, contudo, sofreria uma reorientação decisiva. ### Meinong: a teoria dos objetos No final do século XIX, o filósofo austríaco [Alexius Meinong](https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexius_Meinong) desenvolve, em _Über Gegenstandstheorie_ (1904), uma das mais radicais formas de pluralismo ontológico moderno. Distingue: - _**Existenz**_ (existência): o modo de ser dos objetos espaciotemporais reais. - _**Bestand**_ (subsistência): o modo de ser dos objetos ideais - números, relações, estados de coisas - que são, mas não no espaço ou no tempo. - _**Aussersein**_ (extra-ser): a condição dos objetos meramente possíveis ou impossíveis (a montanha de ouro, o quadrado redondo) - que não existem nem subsistem, mas mesmo assim possuem propriedades ("a montanha de ouro é dourada"). A célebre tese meinongiana - _**es gibt Gegenstände, von denen gilt, dass es dergleichen Gegenstände nicht gibt**_ ("há objetos dos quais é verdade que tais objetos não há") - ficou para a história como a fórmula extrema do pluralismo modal. [Bertrand Russell](https://pt.wikipedia.org/wiki/Bertrand_Russell), no seu _On Denoting_ (1905), atacou-a frontalmente, e a _teoria das descrições_ russelliana foi precisamente uma estratégia para evitar o compromisso ontológico com o reino meinongiano dos objetos inexistentes - episódio fundador da [filosofia analítica](https://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia_anal%C3%ADtica). ### Heidegger: os modos de ser do _Dasein_ e dos entes Em _Sein und Zeit_ (1927), [Martin Heidegger](https://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Heidegger) desenvolve um pluralismo ontológico de inspiração fenomenológica que distingue diversos **modos de ser** (_Seinsweisen_): - _**Existenz**_ - o modo de ser próprio do _Dasein_, do ente humano que se compreende a si mesmo na sua relação com o ser. - _**Vorhandenheit**_ ("ser-disponível", "presença-à-mão") - o modo de ser dos objetos da observação teórica e da ciência: as coisas como meros objetos perante o sujeito. - _**Zuhandenheit**_ ("ser-à-mão", "manualidade") - o modo de ser dos utensílios, dos instrumentos integrados num contexto significativo de uso. - _**Subsistenz**_ - o modo de ser dos objetos abstratos: números, leis lógicas, valores ideais. Para Heidegger, a tradição filosófica ocidental teria, desde [Platão](https://pt.wikipedia.org/wiki/Plat%C3%A3o), reduzido todos estes modos ao modelo da _Vorhandenheit_ - esquecendo, por exemplo, que o utensílio só _é_ enquanto integrado num _para-quê_ significativo. O esquecimento desta diversidade é, na sua leitura, o **esquecimento do ser** (_Seinsvergessenheit_) que define a metafísica clássica. ### Husserl: ontologias regionais [Edmund Husserl](https://pt.wikipedia.org/wiki/Edmund_Husserl), nas _[Ideen zu einer reinen Phänomenologie](https://en.wikipedia.org/wiki/Ideas:_General_Introduction_to_Pure_Phenomenology)_ (1913), propõe uma forma sistemática de pluralismo ontológico através da doutrina das **ontologias regionais** (_regionale Ontologien_). Cada _região do ser_ - a natureza material, a vida orgânica, a esfera psíquica, o espírito objetivo, os objetos ideais - possui as suas leis essenciais próprias, irredutíveis às de outras regiões. Sobre estas regiões opera ainda uma **ontologia formal** que estuda as estruturas categoriais comuns (objeto, propriedade, relação). A doutrina husserliana é o antepassado mais direto, no espaço continental, da [[Ontologia dos Campos de Sentido]] de [[Markus Gabriel]] - embora este se separe de Husserl ao recusar tanto a fundação no sujeito transcendental quanto a permanência de uma região unificadora. --- ## O ressurgimento contemporâneo no espaço analítico Durante boa parte do século XX, o pluralismo ontológico foi marginalizado pelo monismo metaontológico de [W. V. O. Quine](https://pt.wikipedia.org/wiki/Willard_Van_Orman_Quine), cuja célebre divisa - _**to be is to be the value of a bound variable**_ - sustentava que existir é simplesmente ser valor de uma variável ligada por um quantificador existencial num discurso devidamente regimentado. Para Quine, dizer que números e cadeiras existem em sentidos distintos é cometer um erro de análise lógica. A tese quineana dominou a metaontologia analítica até cerca dos anos 2000, quando uma nova geração de filósofos retomou o programa pluralista com novos instrumentos formais. ### Kris McDaniel e a fragmentação do ser [Kris McDaniel](https://en.wikipedia.org/wiki/Kris_McDaniel), em _The Fragmentation of Being_ (Oxford University Press, 2017) - coroamento de uma série de artigos publicados desde 2009 -, oferece uma defesa sistemática do pluralismo ontológico em chave neo-aristotélica. A sua tese central pode formular-se assim: > **Existem múltiplos quantificadores existenciais fundamentais, cada um dos quais corresponde a um modo distinto de ser, e nenhum dos quais é redutível aos outros.** A formulação é técnica, mas a intuição é antiga: quando dizemos que _o número 7 existe_ e que _a Torre Eiffel existe_, estamos a usar _existir_ em sentidos genuinamente diferentes - diferenças que devem ser captadas, na metaontologia formal, por _quantificadores_ distintos, e não escamoteadas por uma uniformização redutora. McDaniel distingue várias motivações históricas para o pluralismo: - **Motivação teológica** - Deus e as criaturas não existem do mesmo modo (tradição aristotélico-tomista). - **Motivação fenomenológica** - distinções entre subsistência e existência apreendidas imediatamente na experiência (Meinong, Husserl). - **Motivação lógica** - diferenças categoriais que exigem quantificadores distintos para serem propriamente representadas (Cocchiarella, Schneider). E introduz noções refinadas como a dos _**beings by courtesy**_ ("seres por cortesia") - entidades como buracos, sombras, ondas, fendas, que existem mas num modo _atenuado_, _derivativo_ - bem como a possibilidade de um _meontológico pluralismo_, isto é, de **múltiplos modos de não-ser**. ### Jason Turner e o pluralismo neo-quineano [Jason Turner](https://jasonturner.arizona.edu/), na linha de McDaniel, propõe em _Ontological Pluralism_ (_Journal of Philosophy_, 2010) uma defesa formalmente rigorosa da tese, articulada em vocabulário neo-quineano. A tese central de Turner: **cada um dos quantificadores especiais postulados pelo pluralista _cuts reality at the joints_** - corta a realidade pelas suas articulações naturais, e é, nesse sentido, fundamental. A discussão Turner-McDaniel-Trenton Merricks-Peter van Inwagen ocupa hoje boa parte da metaontologia analítica de língua inglesa, e constitui um dos campos mais vivos da disciplina. --- ## O pluralismo continental contemporâneo: Markus Gabriel Em paralelo - e em larga medida sem comunicação direta com a discussão anglófona -, [[Markus Gabriel]] desenvolveu, no espaço continental, uma das versões mais radicais e influentes do pluralismo ontológico contemporâneo: a [[Ontologia dos Campos de Sentido]] (_Sinnfeldontologie_). A tese gabrieliana pode resumir-se em três pontos, articuláveis com a tradição: 1. **Existir é aparecer num campo de sentido.** Gabriel substitui a noção quineana de domínio único de quantificação pela noção fregeana, transformada, de _campo de sentido_ - domínio com regras próprias de individuação, identidade e verdade. 2. **Há infinitos campos de sentido, irredutíveis uns aos outros.** A pluralidade é não apenas real mas _infinita_, e nenhum campo é fundamental relativamente aos outros. 3. **Não existe um campo de todos os campos** - é o célebre **argumento contra o mundo**: o conceito de totalidade absoluta é ontologicamente incoerente. A terceira tese - o _**no-world view**_ - distingue o pluralismo gabrieliano de praticamente todos os pluralismos anteriores, incluindo o de McDaniel, que admitem ainda alguma forma de domínio universal (mesmo que estruturado pluralmente). Gabriel é, neste sentido, o **pluralista mais radical** da história da filosofia: não há, para ele, sequer um _meta-domínio_ lógico em que os campos coabitem. --- ## Variantes e aparentados O pluralismo ontológico contemporâneo é uma família com múltiplos membros que vale a pena distinguir: ### Pluralismo ontológico vs pluralismo metafísico - **Pluralismo ontológico** - há múltiplos modos de _ser_. Tese sobre o significado de "existir". - **Pluralismo metafísico** - há múltiplos tipos fundamentais de _coisas_ (matéria, espírito, números...). Tese sobre o inventário do real. Os dois são compatíveis, mas independentes. Pode-se ser pluralista metafísico (admitir entidades de naturezas distintas) sem ser pluralista ontológico (sustentando, à maneira quineana, que todas elas existem do mesmo modo). Inversamente, pode-se ser pluralista ontológico (admitir múltiplos modos de existir) sem multiplicar os tipos básicos de coisas. ### Pluralismo ontológico vs relativismo O pluralismo ontológico **não é relativismo**. Afirmar que números e cadeiras existem em modos diferentes não equivale a afirmar que a sua existência depende de quem os pensa, ou que cabe a cada um decidir o que existe. Em Gabriel, em particular, o pluralismo é articulado precisamente _contra_ o relativismo construtivista - é uma forma de [[Novo Realismo|realismo]] e não uma forma de anti-realismo. ### Pluralismo ontológico vs ontologia plana A [Object-Oriented Ontology](https://en.wikipedia.org/wiki/Object-oriented_ontology) de [Graham Harman](https://en.wikipedia.org/wiki/Graham_Harman), no quadro do [[Realismo Especulativo]], propõe uma **ontologia plana** (_flat ontology_): tudo é _objeto_, e nenhum tipo de objeto goza de estatuto privilegiado. A ontologia plana é uma forma de **monismo modal** com pluralismo de objetos - o oposto, em certo sentido, do pluralismo de Gabriel, que é monista quanto aos objetos (todos são igualmente objetos) e pluralista quanto aos modos de aparecer. --- ## O argumento central: porque não pode "existir" ser unívoco A defesa contemporânea do pluralismo ontológico mobiliza diversas variantes de um argumento de fundo, que pode formular-se assim: 1. Se _existir_ fosse um conceito unívoco, então as condições de individuação, identidade e verdade aplicáveis a tudo o que existe deveriam ser as mesmas. 2. Mas as condições de individuação de números, pessoas, personagens fictícios, eventos, instituições, sonhos e estados afetivos são _manifestamente_ distintas. 3. Logo, ou _existir_ é equívoco (e teríamos uma tese estranha: o número 7 e a Torre Eiffel não partilhariam _nada_ em comum), ou é análogo ou plurívoco (e temos pluralismo ontológico). 4. Como a equivocidade pura é insustentável (pareceríamos não estar a falar do mesmo quando dizemos _existe_), a única opção razoável é o pluralismo. A objeção monista clássica responde que as diferenças entre os modos de existir não são _ontológicas_ (sobre o ser) mas _categoriais_ (sobre os tipos de coisas que são): tudo existe do mesmo modo; o que difere é a natureza do que existe. O debate entre as duas posições prossegue há mais de dois mil anos e está longe de resolvido - o que, talvez, possa ser a melhor evidência da profundidade que encerra. --- ## Receção crítica As objeções contemporâneas ao pluralismo ontológico podem agrupar-se em quatro famílias: 1. **A objeção de Quine: parcimónia.** Multiplicar modos de existir viola o princípio de economia ontológica. Um único quantificador, complementado por uma rica taxonomia categorial, basta para tudo o que o pluralista pretende dizer. 2. **A objeção de Trenton Merricks: o conceito genérico.** Mesmo que admitamos múltiplos modos específicos de ser, poderemos precisar ainda de um _conceito genérico_ de existência para dizer que _tudo o que é, é de algum modo_ - e este conceito genérico reabilitaria, sub-repticiamente, o monismo. McDaniel e Turner têm respondido extensivamente a esta objeção, em particular em _Ontological Pluralism and the Generic Conception of Being_ (Simões, 2020). 3. **A objeção de unidade do discurso.** Como podem coexistir múltiplos modos de ser sem que haja um meta-discurso comum em que esta multiplicidade seja afirmada? A objeção é particularmente aguda contra a versão radical de Gabriel. 4. **A objeção da indeterminação.** Que critérios distinguem um modo legítimo de ser de uma mera distinção categorial conveniente? Sem um critério rigoroso, o pluralismo arrisca-se a proliferar modos sem critério (cf. discussão crítica análoga sobre os _campos de sentido_ gabrielianos no artigo dedicado à [[Ontologia dos Campos de Sentido]]). --- ## Recursos audiovisuais ### Vídeos e palestras - 🎥 **[Kris McDaniel - Ways of Being (palestras académicas)](https://www.youtube.com/results?search_query=Kris+McDaniel+ways+of+being)** - Apresentações em vários colóquios académicos. - 🎥 **[Markus Gabriel - Why The World Does Not Exist (IAI Academy)](https://iai.tv/iai-academy/courses/info?course=why-the-world-does-not-exist)** - Versão didática do pluralismo radical de Gabriel. ### Textos online - 📄 **[Verbete _Ontological Pluralism_ na Stanford Encyclopedia of Philosophy](https://plato.stanford.edu/entries/ontological-pluralism/)** (em preparação na SEP / atualmente disponível em PhilPapers). - 📄 **[Bibliografia _Ontological Pluralism_ em PhilPapers](https://philpapers.org/browse/ontological-pluralism)** - Recurso bibliográfico exaustivo. - 📄 **[Jason Turner - _Ontological Pluralism_ (PDF)](https://jasonturner.arizona.edu/storage/OP.pdf)** - Artigo seminal da retoma analítica. - 📄 **[_Ontological Pluralism_ - _The Human Front_](https://www.thehumanfront.com/pocketsized-ontological-pluralism/)** - Síntese acessível em registo divulgativo. --- ## Bibliografia essencial ### Textos clássicos - Aristóteles, _Metafísica_, Livros Γ, Δ, Ε, Ζ, Θ. Várias edições portuguesas. - Tomás de Aquino, _Summa Theologiae_, I, q. 13 (sobre os nomes divinos e a analogia). - G. W. Leibniz, _Monadologie_ (1714). - Alexius Meinong, _Über Gegenstandstheorie_ (1904). - Edmund Husserl, _[Ideen zu einer reinen Phänomenologie](https://en.wikipedia.org/wiki/Ideas:_General_Introduction_to_Pure_Phenomenology)_, vol. I (1913). - Martin Heidegger, _Sein und Zeit_ (1927). [Trad. portuguesa: _Ser e Tempo_, várias edições.] ### Textos contemporâneos no espaço analítico - Kris McDaniel, _The Fragmentation of Being_. Oxford: Oxford University Press, 2017. - Kris McDaniel, _Ways of Being_ (artigo). Em D. Chalmers, D. Manley, R. Wasserman (eds.), _Metametaphysics: New Essays on the Foundations of Ontology_, Oxford UP, 2009. - Jason Turner, _Ontological Pluralism_. _Journal of Philosophy_ 107(1), 2010, pp. 5-34. - Trenton Merricks, _The Only Way of Being_. _Religious Studies_ 55(3), 2019. ### Textos contemporâneos no espaço continental - Markus Gabriel, _Warum es die Welt nicht gibt_ (2013). [Trad. portuguesa: _[Porque Não Existe o Mundo](https://www.temasedebates.pt/produtos/ficha/porque-nao-existe-o-mundo/15745462)_, Temas e Debates, 2014.] - Markus Gabriel, _[Fields of Sense: A New Realist Ontology](https://edinburghuniversitypress.com/book-fields-of-sense.html)_. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2015. - Tristan Garcia, _Forme et objet. Un traité des choses_. Paris: PUF, 2011. ### Estudos críticos e introduções - Pedro Merlussi, _Pluralism and Realism in Contemporary Metaphysics_. (Vários artigos disponíveis em PhilPapers.) - Ricki Bliss & J. T. M. Miller (eds.), _The Routledge Handbook of Metametaphysics_. London: Routledge, 2020. --- ## Hiperligações internas - [[Markus Gabriel]] - [[Novo Realismo]] - [[Ontologia dos Campos de Sentido]] - [[Realismo Especulativo]] - [[Ontologia]] - [[Metafísica]] - [[Aristóteles]] - [[Heidegger]] - [[Husserl]] - [[Quine]] - [[Frege]] - [[Filosofia Analítica]] - [[Filosofia Continental]] --- ## Notas finais O Pluralismo Ontológico é uma das poucas teses filosóficas com **vinte e quatro séculos de presença contínua** na agenda filosófica ocidental - desde a divisa aristotélica _o ser diz-se de muitos modos_ até às formalizações analíticas mais recentes e ao radicalismo continental de Gabriel. A sua persistência atesta uma intuição difícil de erradicar: **o real é demasiado vasto e demasiado heterogéneo para se deixar encerrar num único modelo de existência**. Quer adote a forma da analogia tomista, da subsistência meinongiana, das ontologias regionais husserlianas, da quantificação plural neo-aristotélica de McDaniel, ou dos campos de sentido gabrielianos, o pluralismo ontológico é, em última análise, **uma profissão de modéstia filosófica**: a recusa de atribuir ao pensamento o poder de comprimir o real numa única forma. Pensar a pluralidade dos modos de ser é renunciar à tentação totalizadora - e abrir o pensamento à descoberta de que o que é se diz, sempre, de muitos modos. > _Ignorantia non est argumentum._ --- #filosofia #ontologia #frutos