# A entrevista a Larry McCaffery #literatura #entrevista #david-foster-wallace A entrevista que [[David Foster Wallace]] concedeu ao crítico Larry McCaffery em 1993, publicada na *Review of Contemporary Fiction* (vol. 13, n.º 2, dedicado a Wallace e William T. Vollmann), constitui uma das peças críticas mais importantes para a compreensão do programa estético do autor. É documento contemporâneo da redação de [[Infinite Jest]] e do ensaio [[E Unibus Pluram]], e funciona como articulação programática entre ambos. ## Argumentos centrais Vários temas que viriam a constituir núcleos da crítica wallaceana são aqui formulados pela primeira vez de modo explícito. A crítica ao virtuosismo formalista vazio: «A boa ficção tem de ser sobre o que significa ser um maldito ser humano. Tem de ser sobre o que sobra». Esta declaração tornar-se-ia uma das mais citadas do autor. A reabilitação do propósito ético da literatura, contra a despreocupação programática da metaficção pós-moderna mais tardia: a ficção, defende Wallace, deve combater a solidão constitutiva do leitor. A explicitação do débito filosófico para com [[Wittgenstein e Wallace|Ludwig Wittgenstein]]: «*The Broom of the System*, no fundo, era a história de uma série de pessoas presas dentro do *Tractatus*. *Infinite Jest* é mais um livro sobre as *Investigações*». A reflexão sobre a televisão como meio cultural dominante e a sua absorção da ironia subversiva - argumento que será desenvolvido em [[E Unibus Pluram]]. ## Sobre solidão e leitura Uma das passagens mais célebres da entrevista articula a tese sobre a função da literatura num horizonte de solidão generalizada: > Ficamos sozinhos com outros humanos a maior parte do tempo. Mas estamos *consigo mesmos* o tempo todo. Cada um de nós passa o tempo todo, basicamente, sozinho. […] É essencial para os humanos que se ajudem uns aos outros, especialmente em alturas em que se sentem desesperadamente sozinhos. Penso que a ficção pode ser, de uma forma muito particular, uma resposta a esta solidão (Wallace, em entrevista a McCaffery, 1993, em paráfrase). Esta formulação inscreve-se na linhagem de propostas éticas sobre a função da literatura que percorrem o pensamento wallaceano até ao discurso [[This Is Water]] (2005). ## Receção e influência A entrevista tornou-se documento canónico da crítica wallaceana. É amplamente citada em estudos sobre a [[A Nova Sinceridade|nova sinceridade]], em monografias sobre o autor e em antologias de teoria literária contemporânea. A *Dalkey Archive Press* republicou-a online, tornando-a acessível para além da revista original. ## Ver também - [[David Foster Wallace]] - [[E Unibus Pluram]] - [[Wittgenstein e Wallace]] - [[Infinite Jest]] - [[A Nova Sinceridade]] ## Ligações externas - [Texto integral da entrevista - Dalkey Archive Press](https://www.dalkeyarchive.com/a-conversation-with-david-foster-wallace-by-larry-mccaffery/)