# The Pale King
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*The Pale King* é o terceiro romance de [[David Foster Wallace]], publicado postumamente em 2011 pela Little, Brown and Company com edição do longo colaborador do autor, Michael Pietsch. Foi finalista do Prémio Pulitzer de Ficção em 2012 - ano em que, tendo havido finalistas, nenhum prémio foi atribuído. A obra encontrava-se inacabada à data do suicídio do autor em 2008, sendo a sua versão final fruto de um trabalho editorial que reuniu manuscritos, fragmentos digitalmente arquivados e anotações deixadas por Wallace.
## Argumento e ambiente
A ação decorre em meados da década de 1980, num escritório regional do *Internal Revenue Service* (IRS) em Peoria, Illinois - agência tributária federal dos Estados Unidos. As personagens são funcionários encarregues do tedioso trabalho de auditoria fiscal, e o romance constitui-se como uma constelação de retratos psicológicos centrados na experiência do tédio como categoria existencial.
> O segredo último: as gerações que se seguem aos heróis cessarão de ser heróis quando descobrirem que o heroísmo, na sua forma mais difícil - a forma sustentada na atenção paciente sobre tarefas árduas e tediosas - está disponível em qualquer momento, em qualquer lugar (Wallace, *The Pale King*, 2011, em paráfrase).
## O tédio como tema central
Wallace propõe-se neste livro tematizar de forma direta aquilo que em [[Infinite Jest]] aparecera como ameaça implícita: a capacidade - ou incapacidade - de manter a atenção quando ela não é solicitada por estímulos externos. O tédio é, no romance, simultaneamente patologia e promessa: o ponto em que a vida adulta se revela mais opaca, mas também onde, paradoxalmente, se localiza a possibilidade de uma forma de heroísmo silencioso.
Esta tese é coerente com a argumentação do discurso [[This Is Water]] (2005), onde Wallace já esboçara a tese de que a verdadeira liberdade reside na escolha consciente daquilo a que se presta atenção. O tédio do escritório do IRS é, assim, espaço figurativamente análogo ao supermercado lotado e ao trânsito da hora de ponta evocados no discurso de Kenyon.
## Estrutura inacabada
A natureza fragmentária da obra é, ao mesmo tempo, problema e oportunidade hermenêutica. Pietsch optou por uma edição relativamente conservadora, mantendo a sequência sugerida pelas notas do autor e incluindo um capítulo introdutório (em que um narrador chamado «David Wallace» reflete sobre a natureza do livro que estamos a ler) que dialoga produtivamente com as tradições da metaficção - ainda que num registo despojado da ironia distanciada que [[E Unibus Pluram]] denunciara.
## Receção crítica
A receção foi maioritariamente reverente, embora atravessada pela consciência da incompletude. Críticos como Michiko Kakutani (no *New York Times*) e Tom McCarthy enfatizaram o caráter notável da obra mesmo no estado fragmentário em que sobreviveu. A receção académica tem produzido leituras notáveis, como as de Stephen Burn em *David Foster Wallace's Infinite Jest: A Reader's Guide* (2.ª ed.) e em diversos ensaios incluídos em *The Cambridge Companion to David Foster Wallace* (2018).
A coincidência entre o tema do tédio fiscal e a vida quotidiana ordinária permitiu que muitos leitores tomassem o romance como manifesto póstumo da [[A Nova Sinceridade|nova sinceridade]] que Wallace defendera vinte anos antes - embora outros, como o próprio Burn, advirtam contra leituras teleológicas que estabilizem demasiado depressa o sentido de uma obra que o autor não chegou a fechar.
## Ver também
- [[David Foster Wallace]]
- [[Infinite Jest]]
- [[This Is Water]]
- [[A anedonia em Wallace]]
- [[A depressão em Wallace]]
- [[As linhas críticas da literatura de David Foster Wallace]]
## Ligações externas
- [Verbete na Wikipédia](https://en.wikipedia.org/wiki/The_Pale_King)
- [Materiais do arquivo no Harry Ransom Center](https://www.thehowlingfantods.com/dfw/hrc-archive.html)