# Novo Realismo > _"As necessidades reais, as vidas e as mortes reais, que não toleram ser reduzidas a interpretações, voltaram a fazer valer os seus direitos."_ - Maurizio Ferraris, **Manifesto del Nuovo Realismo** ![Maurizio Ferraris](https://www.montepio.org/wp-content/uploads/2024/06/maurizio-ferraris-entrevista.png) <sub>_Maurizio Ferraris. Créditos da Imagem: montepio.org._</sub> --- ## Apresentação O **Novo Realismo** (em alemão _Neuer Realismus_; em italiano _Nuovo Realismo_; em inglês _New Realism_) é uma corrente filosófica contemporânea, nascida em meados da segunda década do século XXI, que se constituiu como **resposta concertada ao construtivismo pós-moderno** e ao agnosticismo epistemológico que dominaram boa parte do pensamento continental do último quartel do século XX. O seu gesto inaugural é simples na forma e exigente nas consequências: reabilitar a noção de que **há uma realidade independente das nossas representações**, e que sobre essa realidade é possível fazer afirmações verdadeiras - sem, contudo, regressar a um realismo metafísico ingénuo de tipo pré-kantiano. Trata-se, na expressão de [Maurizio Ferraris](https://pt.wikipedia.org/wiki/Maurizio_Ferraris), do registo de uma **mudança de estação**: o longo outono pós-moderno, com a sua desconfiança sistemática quanto à objetividade, à verdade e aos factos, terá dado lugar, no início do século XXI, a uma reaproximação ao real - não ingénua, não dogmática, mas filosoficamente armada para enfrentar tanto o relativismo herdado da [hermenêutica](https://pt.wikipedia.org/wiki/Hermen%C3%AAutica) e da [desconstrução](https://pt.wikipedia.org/wiki/Desconstru%C3%A7%C3%A3o) quanto o reducionismo cientista que se apresenta como sua única alternativa. --- ## Génese: a certidão de nascimento Poucas correntes filosóficas podem reclamar uma fundação tão precisamente datável. A 23 de junho de 2011, ao almoço no restaurante _Al Vinacciolo_, na Via Gennaro Serra, em Nápoles, Markus Gabriel (ver [[Markus Gabriel - O mundo não existe]]) - então jovem catedrático da Universidade de Bona - encontrou-se com [Maurizio Ferraris](https://pt.wikipedia.org/wiki/Maurizio_Ferraris), discípulo de [Gianni Vattimo](https://pt.wikipedia.org/wiki/Gianni_Vattimo) e antigo colaborador de [Jacques Derrida](https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_Derrida), e com Simone Maestrone. O encontro destinava-se a preparar um colóquio internacional que Gabriel pretendia organizar em Bona, e dele saiu o nome - _Neuer Realismus_ / _Nuovo Realismo_ - que daria identidade a um conjunto de propostas até então dispersas. Ferraris, no seu _[Introduction to New Realism](https://www.bloomsbury.com/uk/introduction-to-new-realism-9781472526939/)_ (2014), regista a anedota com humor notarial: a ata escreve-se em 23 de junho de 2011, às 13h30, na Via Gennaro Serra, 29. O Novo Realismo não foi, contudo, uma criação _ex nihilo_ dessa conversa: precedera-a o **artigo de Ferraris no diário [_La Repubblica_](https://www.repubblica.it/), publicado em 8 de agosto de 2011**, que anunciava ao grande público o programa, e seguir-se-lhe-ia o _[Manifesto del nuovo realismo](https://www.laterza.it/scheda-libro/?isbn=9788842098928)_ (Laterza, 2012), que viria a ser a obra de referência da corrente. --- ## Os dois dogmas do pós-modernismo Para compreender o Novo Realismo importa começar pelo seu adversário declarado: aquilo a que Ferraris chama, em paráfrase quineana, os **dois dogmas do pós-modernismo**. 1. **A realidade é socialmente construída e infinitamente manipulável.** A tese, herdada de uma certa leitura - Ferraris dirá: de uma má leitura - de [Nietzsche](https://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Nietzsche), [Heidegger](https://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Heidegger), [Foucault](https://pt.wikipedia.org/wiki/Michel_Foucault) e [Derrida](https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_Derrida), reduz o real à trama dos esquemas concetuais, dos discursos, das relações de poder ou das estruturas linguísticas que sobre ele se sobrepõem. 2. **A verdade e a objetividade são noções inúteis.** A divisa nietzschiana - _não há factos, apenas interpretações_ - é tomada à letra, e a filosofia abdica do compromisso com a verdade em favor de uma proliferação de narrativas igualmente legítimas. Os novos realistas não negam que estes diagnósticos contivessem verdades parciais e tenham operado emancipações reais. Negam, sim, **a generalização indiscriminada** que conduziu, na sua leitura, à cumplicidade involuntária da filosofia pós-moderna com o populismo mediático, com a economia das _fake news_ e com aquela degenerescência da esfera pública em que tudo se tornou _reality_, fingido a ponto de parecer verdadeiro. > _Reais são as necessidades, as vidas e as mortes - coisas que não suportam ser reduzidas a interpretação._ A frase de Ferraris condensa o gesto fundador: contra a inflação interpretativa, reafirmar que **a realidade resiste**. --- ## As teses fundamentais Sob a designação comum de Novo Realismo abrigam-se posições filosoficamente distintas - Ferraris é ontólogo da resistência, Gabriel epistemólogo dos campos de sentido - mas convergentes num conjunto de teses basilares: ### 1. Realismo sobre o conhecimento **Apreendemos as coisas em si mesmas.** Há acesso epistémico genuíno a uma realidade que não é mera projeção mental, nem fenómeno a contrastar com um inacessível _númeno_ kantiano. O Novo Realismo recusa, neste ponto, o **agnosticismo de [Kant](https://pt.wikipedia.org/wiki/Immanuel_Kant)** quanto à coisa-em-si, sem por isso regressar à confiança ingénua num espelhamento perfeito. ### 2. Independência do real A realidade - pelo menos uma parte substancial dela - **existe independentemente do observador**. As montanhas existiam antes de haver olhos para as ver; as estrelas mortas brilharam antes de haver telescópios para as registar. Esta tese, banal para o senso comum, fora obscurecida por décadas de filosofia para a qual _só há mundo para um sujeito_. ### 3. Inemendabilidade Conceito central no léxico ferrarisiano: **o real é inemendável** (_inemendabile_). Não é manipulável à vontade pelos nossos esquemas concetuais - resiste-lhes, opõe-se-lhes, contraria-os. Quando me magoo num degrau invisível no escuro, é o degrau que se impõe ao meu corpo, não o meu corpo que constrói o degrau. Para Ferraris, **existir é resistir**: o real é aquilo que, mesmo sem ter sentido para nós, faz valer-se na sua opacidade. ### 4. Pluralismo ontológico **O real é plural, não totalizável.** Esta é a contribuição mais distintiva de Markus Gabriel: contra a tentação metafísica de reduzir tudo a um único domínio (a matéria, o espírito, a linguagem, o sistema), o Novo Realismo defende que existem múltiplos **campos de sentido** - a física, a biologia, a literatura, a matemática, os sonhos, os afetos - irredutíveis uns aos outros e cada um regido por regras próprias de existência e verdade. Sobre a articulação detalhada deste princípio, ver o artigo [[Markus Gabriel - O mundo não existe]]dedicado a Markus Gabriel e à sua [[Ontologia dos Campos de Sentido]]. ### 5. Realismo moral Há **factos morais** - Gabriel sustenta-o em _[Moral Progress in Dark Times](https://www.politybooks.com/bookdetail?book_slug=moral-progress-in-dark-times-universal-values-for-the-21st-century--9781509548033)_ (2020) - que não dependem de cultura, época ou consenso. Bater em crianças é mau hoje, e era-o em 1880, ainda que muitos pais o ignorassem. A escravatura era injusta na Atenas de [Aristóteles](https://pt.wikipedia.org/wiki/Arist%C3%B3teles), mesmo sem que o filósofo o reconhecesse. O Novo Realismo prolonga-se assim, em pelo menos uma das suas vertentes, num **realismo ético** que recusa o relativismo cultural sem se reconciliar com qualquer fundacionalismo religioso. --- ## Cartografia: os principais protagonistas O Novo Realismo é menos uma escola homogénea do que uma constelação de pensadores que, vindo de tradições diferentes, convergiram numa atmosfera filosófica partilhada. ### O eixo italiano - **[Maurizio Ferraris](https://pt.wikipedia.org/wiki/Maurizio_Ferraris)** (Turim, 1956) - figura motriz da corrente. Ex-discípulo de [Vattimo](https://pt.wikipedia.org/wiki/Gianni_Vattimo), colaborador de [Derrida](https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_Derrida), dirige o [LabOnt](https://labont.it/) (Laboratório de Ontologia) na Universidade de Turim. Autor do _Manifesto del nuovo realismo_ (2012) e desenvolvedor de uma **ontologia social da documentalidade** (cf. _Documentalità_, 2009), em que sustenta que o mundo social é constituído por _atos inscritos_ - o documento, e não a comunicação, é a célula básica da realidade institucional. - **Mario De Caro** (Universidade de Roma III) - proveniente da [filosofia analítica](https://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia_anal%C3%ADtica), co-editor com Ferraris do volume _Bentornata Realtà_ (2012), e proponente, com [Hilary Putnam](https://pt.wikipedia.org/wiki/Hilary_Putnam), de um **naturalismo liberal** que recusa o cientismo reducionista sem abandonar o realismo. - **Umberto Eco** (1932-2016) - figura tutelar do movimento, cuja noção de _realismo negativo_ (em _[Kant e o Ornitorrinco](https://www.gradiva.pt/catalogo/15/kant-e-o-ornitorrinco)_, 1997) antecipou parte do programa: o real é aquilo que diz _não_ às nossas teorias. ### O eixo germanófono - **Markus Gabriel** (Bona, 1980) - co-fundador e voz mais mediática do movimento. Autor de _Porque Não Existe o Mundo_ (2013) e de _Fields of Sense_ (2015), desenvolveu a [[Ontologia dos Campos de Sentido]] como versão sistemática e técnica do programa. ### O eixo ibero-americano - **Mauricio Beuchot** (Universidade Nacional Autónoma do México) - autor do _Manifiesto del realismo analógico_ (2013), que articula o Novo Realismo com a tradição da hermenêutica analógica de inspiração tomista. - **José Luis Jerez** (Argentina) - colaborador de Beuchot na vertente latino-americana. - **Rossano Pecoraro** (Brasil) - propõe uma **filosofia política** ancorada no Novo Realismo italiano (_Cenários da Filosofia Contemporânea_, 2015). ### Apoios e companheiros de viagem O Novo Realismo recebeu o respaldo público de figuras de primeira grandeza: **[Hilary Putnam](https://pt.wikipedia.org/wiki/Hilary_Putnam)**, **[John Searle](https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Searle)**, **Umberto Eco**. Em registos próximos, ainda que distintos, encontram-se também os movimentos paralelos do [[Realismo Especulativo]] e da [Object-Oriented Ontology](https://en.wikipedia.org/wiki/Object-oriented_ontology). --- ## O Novo Realismo e o Realismo Especulativo: parentesco e diferença É comum a confusão entre **Novo Realismo** e **[[Realismo Especulativo]]**, e importa distingui-los - não por purismo terminológico, mas porque designam diagnósticos e estratégias filosóficas diferentes. O **Realismo Especulativo** nasceu cinco anos antes, num colóquio realizado a 27 de Abril de 2007 no [Goldsmiths College](https://en.wikipedia.org/wiki/Goldsmiths,_University_of_London), em Londres, que reuniu quatro filósofos: **[Quentin Meillassoux](https://en.wikipedia.org/wiki/Quentin_Meillassoux)**, **[Graham Harman](https://en.wikipedia.org/wiki/Graham_Harman)**, **Ray Brassier** e **Iain Hamilton Grant**. O alvo declarado era o **correlacionismo** - termo cunhado por Meillassoux em _[Après la finitude](https://en.wikipedia.org/wiki/After_Finitude)_ (2006) para designar a tese, dominante desde [Kant](https://pt.wikipedia.org/wiki/Immanuel_Kant), segundo a qual o pensamento só pode aceder a uma _correlação_ entre sujeito e objeto, jamais à coisa em si. ||**Realismo Especulativo**|**Novo Realismo**| |---|---|---| |**Origem**|Goldsmiths, 2007|Nápoles, 2011| |**Adversário principal**|Correlacionismo pós-kantiano|Construtivismo pós-moderno| |**Estilo dominante**|Especulativo, sistemático|Argumentativo, cultural| |**Figuras centrais**|Meillassoux, Harman, Brassier, Grant|Ferraris, Gabriel, De Caro, Eco| |**Atitude perante a metafísica**|Reabilitação especulativa|Suspeição (sobretudo em Gabriel)| Há **convergência no espírito anti-correlacionista** - todos pretendem reabrir o pensamento ao real exterior à mente -, mas **divergência no método e no programa**. Gabriel, em particular, critica em [Meillassoux](https://en.wikipedia.org/wiki/Quentin_Meillassoux) uma **aspiração metafísica residual** que considera incompatível com a recusa da totalidade. Há ainda diferenças temperamentais: o Realismo Especulativo é mais sistemático, mais especulativo no sentido literal; o Novo Realismo é mais pragmático, mais atento à intervenção pública e à crítica cultural. --- ## Programa positivo: o que constrói o Novo Realismo? Após a _pars destruens_ - a crítica ao pós-modernismo e ao correlacionismo -, o Novo Realismo desenvolve uma _pars construens_ em três direções principais. ### Estética como teoria da sensibilidade Ferraris, em _Estetica razionale_ (1997, ed. revista 2011), recupera o sentido etimológico de _aisthesis_ - sensação, perceção - para tratar a estética não como filosofia da arte, mas como **ontologia da experiência sensível**. O que aparece aos sentidos não é construção do espírito: precede-a, condiciona-a, resiste-lhe. ### Ontologia natural: a inemendabilidade A realidade natural é caracterizada pela **inemendabilidade**: o que existe ou se passa não pode ser desfeito por uma reinterpretação. O degrau invisível no escuro, o terramoto, a doença do ente querido - nada disto pode ser _deconstruído_. A inemendabilidade é o critério ferrarisiano de demarcação entre real e construído. ### Ontologia social: a documentalidade Mas nem tudo é natural. O dinheiro, o casamento, o Estado, a propriedade não são realidades físicas - e contudo existem, e produzem efeitos. Para Ferraris, o que constitui a realidade social não é a comunicação (como queria [Habermas](https://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BCrgen_Habermas)) nem a intencionalidade coletiva (como queria [Searle](https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Searle)), mas o **documento**. _Object = Inscribed Act_: um objeto social é um ato inscrito num suporte. Sem inscrição, sem documento, não há realidade social. A tese, cada vez mais pertinente na era digital, aparece desenvolvida em _Documentalità_ (2009) e em _Mobilitazione totale_ (2015). ### Ontologia dos campos de sentido Em registo distinto, Markus Gabriel desenvolve a sua _Sinnfeldontologie_, segundo a qual existir é aparecer num campo de sentido governado por regras próprias de individuação. Para a articulação completa desta proposta - incluindo o argumento de que _o mundo_, entendido como totalidade absoluta, não pode existir -, ver o artigo [[Markus Gabriel - O mundo não existe]]dedicado a Markus Gabriel. --- ## Receção crítica Como toda a corrente que aspira a rutura, o Novo Realismo foi recebido com entusiasmo e reservas em doses comparáveis. Os elogios apontam: - A **reabilitação dos conceitos de verdade, facto e objetividade**, num contexto cultural que os erodira. - A **construção de pontes entre as tradições analítica e continental**, gesto raro e fecundo. - A **acessibilidade pública** dos seus principais expoentes - Ferraris e Gabriel são presença frequente nos meios de comunicação europeus, sem que a popularização lhes comprometa o rigor. As objeções organizam-se em torno de três eixos: 1. **Indeterminação dos conceitos centrais.** [Há quem argumente](https://mappingignorance.org/2025/11/10/does-the-world-exist-a-critique-of-markus-gabriels-metaphysics-1/) que noções como _campo de sentido_ ou _inemendabilidade_ são suficientemente latas para se tornarem triviais - qualquer coisa pode ser um campo de sentido, qualquer coisa pode ser inemendável. 2. **Simplificação polémica do pós-modernismo.** Críticos apontam que o Novo Realismo _toma à letra_ as figuras mais provocatórias da _theory_ pós-moderna - Nietzsche, Heidegger, Derrida - e os arrasta perante o tribunal do senso comum, perdendo nuance interpretativa. 3. **Ressonâncias com programas anteriores.** Alguns autores notam que certas teses do Novo Realismo recuperam intuições próximas das **ontologias regionais** de [Edmund Husserl](https://pt.wikipedia.org/wiki/Edmund_Husserl), da teoria dos sistemas de [Niklas Luhmann](https://pt.wikipedia.org/wiki/Niklas_Luhmann), ou do realismo crítico britânico (Roy Bhaskar) - questionando-se a pretensão de novidade. A polémica, longe de empobrecer o programa, atesta-lhe a centralidade. O Novo Realismo é hoje, ao lado do Realismo Especulativo e da Object-Oriented Ontology, um dos principais polos da renovação ontológica contemporânea. --- ## Recursos audiovisuais ### Vídeos e palestras - 🎥 **[Why the world does not exist | Markus Gabriel | TEDxMünchen (2013)](https://www.youtube.com/watch?v=hzvesGB_TI0)** - A apresentação que popularizou a versão gabrieliana do Novo Realismo. - 🎥 **[Maurizio Ferraris - Manifesto del nuovo realismo (Festival della Mente)](https://www.youtube.com/results?search_query=Maurizio+Ferraris+Manifesto+nuovo+realismo)** - Várias intervenções de Ferraris em italiano disponíveis online. - 🎥 **[Markus Gabriel - Why The World Does Not Exist (IAI Academy)](https://iai.tv/iai-academy/courses/info?course=why-the-world-does-not-exist)** - Curso introdutório completo. - 🎥 **[Graham Harman - Object-Oriented Ontology](https://www.youtube.com/results?search_query=Graham+Harman+Object+Oriented+Ontology)** - Para situar o Novo Realismo no contexto das correntes paralelas. ### Entrevistas e textos - 📄 **[On New Realism: Maurizio Ferraris interviewed by Peter Gratton](https://www.societyandspace.org/articles/on-new-realism)** - Entrevista fundamental, em que Ferraris distingue a sua posição da de Gabriel: _para mim, existir é resistir_. - 📄 **[Markus Gabriel: New Realism - Philosophy Now](https://philosophynow.org/issues/113/Markus_Gabriel)** - Apresentação sintética das duas teses cardinais. - 📄 **[Notre Dame Philosophical Reviews - _Fields of Sense_](https://ndpr.nd.edu/reviews/fields-of-sense-a-new-realist-ontology/)** - Recensão académica detalhada. - 📄 **[_Manifesto del nuovo realismo_ - página da editora Laterza](https://www.laterza.it/scheda-libro/?isbn=9788842098928)**. --- ## Bibliografia essencial ### Textos fundadores - Maurizio Ferraris, _Manifesto del nuovo realismo_. Roma-Bari: Laterza, 2012. [Tradução inglesa: _Manifesto of New Realism_, SUNY Press, 2014.] - Maurizio Ferraris, _Introduction to New Realism_. London: [Bloomsbury](https://www.bloomsbury.com/uk/introduction-to-new-realism-9781472526939/), 2014. - Markus Gabriel, _Warum es die Welt nicht gibt_. Berlin: Ullstein, 2013. [Trad. portuguesa: _[Porque Não Existe o Mundo](https://www.temasedebates.pt/produtos/ficha/porque-nao-existe-o-mundo/15745462)_, Temas e Debates, 2014.] - Markus Gabriel, _[Fields of Sense: A New Realist Ontology](https://edinburghuniversitypress.com/book-fields-of-sense.html)_. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2015. - Mauricio Beuchot e José Luis Jerez, _Manifiesto del realismo analógico_. Buenos Aires: Círculo Hermenéutico, 2013. ### Antecedentes e contextos - Umberto Eco, _Kant e o Ornitorrinco_. Lisboa: Difel, 1999. - Quentin Meillassoux, _Après la finitude_. Paris: Seuil, 2006. [Trad. inglesa: _After Finitude_, Continuum, 2008.] - Mario De Caro & Maurizio Ferraris (eds.), _Bentornata realtà. Il nuovo realismo in discussione_. Torino: Einaudi, 2012. ### Estudos críticos - Verbete _[New Realism (philosophy)](https://en.wikipedia.org/wiki/New_realism_\(philosophy\))_ na Wikipédia anglófona. - Verbete _[Speculative realism](https://en.wikipedia.org/wiki/Speculative_realism)_ na Wikipédia anglófona. - _New Realism: Problems and Perspectives_ (Sofia, 2017), volume coletivo dedicado ao confronto entre as variantes da corrente. --- ## Hiperligações internas neste jardim - [[Markus Gabriel - O mundo não existe]] - [[Ontologia dos Campos de Sentido]] - [[Realismo Especulativo]] - [[Ontologia]] - [[Epistemologia]] - [[Pluralismo Ontológico]] - [[Filosofia Continental]] - [[Filosofia Analítica]] - [[Hegel]] - [[Schelling]] - [[Construtivismo]] - [[Pós-modernismo]] --- ## Notas finais O Novo Realismo é, em última instância, um **gesto de sobriedade**. Não anuncia, como tantos programas filosóficos do passado, uma chave universal para o real; pelo contrário, multiplica-as, recusando a tentação totalizadora. Mas afirma, contra a vertigem relativista, que **há verdade**, que **há factos**, que **há coisas que existem independentemente daquilo que pensamos delas** - e que essa afirmação, longe de ser ingénua, é a condição para que a filosofia possa continuar a fazer aquilo que sempre fez de melhor: distinguir o que é do que apenas parece ser. Num tempo em que o discurso público oscila entre o cientismo confiante e o cinismo construtivista, o Novo Realismo oferece uma terceira via - possivelmente estreita, talvez precária, mas filosoficamente fecunda. Como Ferraris escreveu no _Manifesto_, há coisas que **resistem e insistem, agora e sempre, como factos que não toleram ser reduzidos a interpretação**. > _Ignorantia non est argumentum._ --- #filosofia #ontologia #novo-realismo